Belém porta de entrada da Amazônia


AMAZÔNIA PARAENSE

Por Edna Cardozo Dias

Estamos entrando na amazônia por seu portão natural, Belém. A cidade foi fundada em 1616 e exibe arquitetura barroca, ao lado da beleza selvagem e do exotismo da natureza.

Comecemos pela Estação das Docas, um complexo turístico e centro gastronômico na beira da baía do Guajará. De lá, diariamente são feitos passeios fluviais pela orla da cidade. O programa dura 1:30 onde, da baía do Guajará e do rio Guamá se tem uma das mais inesquecíveis visões da cidade, com suas habitações típicas, seus velhos casarões azulejados e suas igrejas barrocas.

O cartão postal da cidade é o complexo do Ver-o-Peso, que abrange o Mercado de Ferro, o Mercado Municipal e a feira livre. É uma verdadeira vitrine das coisas e costumes amazônicos: frutos, ervas medicinais e artigos de pajelança.

Outro passeio imperdível é o Museu Emílio Goeldi, centro científico e parque zoobotânico, onde estão centenas de espécies de árvores e animais da Amazônia. É considerado um dos mais importantes museus de antropologia do país.

Em Belém, ocorre em todo segundo domingo de outubro, uma das maiores manifestações populares religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré. É comemorado desde 1700, quando o caboclo Plácido de Souza, encontrou a imagem de nossa Sra. de Nazaré. Uma procissão reúne milhares de fiéis, e depois as famílias se reúnem em torno de um almoço de confraternização.

A ilha do Marajó, maior ilha fluvio-marítima do planeta, é um dos mais atraentes pólos turísticos do Pará. Com suas praias selvagens, campos naturais, matas, várzeas, mangues e savanas, Marajó exibe sua beleza exuberante, em caminhos de terra e água. Sua rica fauna convive com charmosas manadas de búfalos.

Soure é o município mais procurado pelos turistas, pelas belas praias e por possuir uma infra estrutura satisfatória. Mas, existem vários outros municípios que merecem ser visitados: Salvaterra, Curralinho, Bagre, Portel, Melgaço, Gurupa, Anajás, entre outros.

O acesso à ilha se dá por barco ou avião. De barco são 3 horas partindo de Belém, atravessando-se a baía do Marajó até Salvaterra. Segundo os historiadores Salvaterra foi descoberta em 1500, por Vicente Pizon, que para fugir da pororoca aportou em Marajó, batizando-a de Ilha Grande de Joannes. O município tem diversas praias fluviais com areias brancas, sombreadas por coqueirais.

A travessia de Salvaterra para a capital, Soure, também chamada a pérola do Marajó ou capital brasileira do búfalo, é feita por balsa e dura em torno de 15 minutos. Seus campos alagados são propícios à criação de búfalos, animais característicos da região. A praia do Pesqueiro, a 7 km, é a mais visitada. Mas, não se pode deixar de visitar a floresta de mangue, as oficinas de arte marajoara, os igarapés e as fazendas de búfalos. A cultura marajoara é outro atrativo para os turistas, com suas danças típicas, como o carimbó e o lundu. 

Lendas e mitos
O boto - Uma das mais apaixonantes lendas da região Amazônica é a que conta a história do boto, um peixe que vira homem e seduz as moças da cidade do interior. Caboclo bonitão atua nas festas, excelente " pé de valsa", beberrão que seduz as vítimas, deixando-lhes um filho no ventre. O boto tornou-se pai de uma prole numerosíssima na região.

O Jurupari - Filho do Sol, nasceu de Ceucy e foi gerado pelo sumo da cucura. Desceu à terra para arrebatar o poder das mulheres e restitui-lo aos homens.

A Grande Mãe - O indígena acredita que tudo no mundo, seja animal, vegetal ou mineral tem sua mãe: Amanacy ( mãe da chuva), Lacy ( a lua, nossa mãe primordial), Aracy ( mãe do dia), Ceucy ( mãe de Jurupari - herói civilizador), Coaracy ( o sol - mãe de todos os viventes), Curupira ( mãe do mato, adolescente peludo com pés para trás, protege as matas).

Yara, a mãe das águas é uma bela mulher que fascina e acaba por matar ou enlouquecer os homens. Senhora dos igarapés e dos rios, seu encanto é fatal.

Contudo, a Mãe terrível, é a Cobra Grande, a Boiúna, que vive em todas as águas na noite escura.

A grande lição - Os caboclos nos ensinam que devemos agradecer a tudo no universo, pedir licença para entrar nas matas, acariciar as águas antes de atravessá-las, não fazer necessidades fisiológicas no tempo, e a tudo reverenciar com amor. Infinitos são os caminhos do progresso, mas par trilhá-lo temos que respeitar o andar do tempo e ouvir o que nos falam os ancestrais nas grandes horas ( amanhecer e anoitecer), quando o sol engole nossa sombra e quando as estrelas ocupam o firmamento.

*Presidente da Liga de Prevenção da Crueldade contra o Animal

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